O perigo dos parrachos de Perobas (que ninguém conta)

Venho alertar sobre os riscos envolvidos no passeio às piscinas naturais de Perobas. Estive lá com minha família em janeiro, levada pela Marazul Receptivo, e o saldo foi uma fratura na coluna, muitas dores e uma licença médica de três meses. No trajeto para as piscinas, a lancha foi em velocidade contra as ondas, batendo no mar, até que, num dos movimentos ascendentes da embarcação, fui deslocada do assento onde estava e, na descida, caí sentada sobre o banco que ocupava. Sem chance de defesa - pois na lancha molhada e escorregadia não há onde os passageiros se segurarem -, sofri forte impacto na coluna e muita dor. Apesar de minhas queixas, a lancha prosseguiu com o passeio e tive que esperar mais de uma hora para o retorno à praia. O guia prosseguiu com a programação da tarde como se nada tivesse acontecido e lá onde estávamos, a 80 km de Natal, os turistas não contam com nenhuma estrutura de socorro médico (sequer isso me foi oferecido). Quando a van da Marazul finalmente retornou a Natal e fez parada em um centro de artesanato, conseguimos pegar um táxi e fui atendida numa clínica de emergência. No dia seguinte retornei ao RJ, onde o exame de ressonância magnética revelou fratura da vértebra D12. Tudo isso como consequência do passeio a Perobas, que nos foi vendido como uma atividade tranquila, sem qualquer aviso sobre os trancos que os passageiros sofrem na lancha, indefesos. Imagino que lesões graves poderia sofrer um idoso. Tenho certeza de que o ocorrido não é um caso isolado, pois em outra lancha, de outra operadora de turismo, vi uma passageira que nem desceu da embarcação, pois estava recebendo massagem nas costas - certamente sofrendo do mesmo impacto. A primeira preocupação das empresas de turismo deveria ser com a segurança de seus clientes, por isso não deveriam ser permitidos passageiros na proa da lancha, onde o impacto com as ondas é maior. No momento da venda do passeio, as pessoas deveriam ser avisadas sobre o fato de a lancha "bater" muito no trajeto e os riscos envolvidos, como fazem internacionalmente profissionais e operadoras de turismo responsáveis. Enquanto o passeio às piscinas de Perobas ocorrer nessas condições certamente muitas pessoas se machucarão, com maior ou menor gravidade, até que aconteça uma tragédia mais séria. É preciso que todos os envolvidos no setor de turismo no país - empresas, blogueiros, consumidores, imprensa, órgãos de regulamentação - exijam serviços de qualidade, priorizando a segurança do público, a honestidade e a seriedade das informações prestadas.